Aliados do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, estão fornecendo informações a pessoas próximas a Donald Trump que destacam críticas de Lula ao presidente dos Estados Unidos. O encontro entre os mandatários está agendado para esta quinta-feira, em Washington.
O movimento bolsonarista nos Estados Unidos, liderado por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, busca influenciar a política externa da Casa Branca em relação ao Brasil. No passado, eles foram fundamentais para a implementação de tarifas e sanções contra autoridades brasileiras, incluindo o ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Interlocutores do grupo informaram que uma operação foi realizada para apresentar à Casa Branca as manifestações contrárias de Lula sobre Trump. Jason Miller, conselheiro de Trump, começou a enviar mensagens listando episódios de conflito com o petista, como a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro.
Os bolsonaristas reconhecem a natureza imprevisível de Trump, mas acreditam que ele deve receber Lula de forma cordial. Historicamente, Trump já constrangeu outros líderes durante encontros, como ocorreu com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski.
A estratégia dos bolsonaristas é desgastar Lula com a visita, independentemente do resultado. Eles acreditam que a viagem pode enfraquecer o discurso de defesa da soberania do petista.
O governo Lula, por sua vez, argumenta que o encontro reforçará a imagem do presidente como um estadista que valoriza a diplomacia.
Outro tema relevante na agenda é a questão das facções criminosas. Lula busca evitar que os EUA classifiquem o CV e o PCC como organizações terroristas, o que, segundo seu governo, poderia justificar intervenções dos EUA no Brasil e aumentar os riscos para o mercado financeiro.
Os bolsonaristas apoiam a designação das facções como terroristas e pretendem usar isso para criticar Lula, alegando que ele foi aos EUA para defender traficantes.
Flávio Bolsonaro explorou essa narrativa ao compartilhar um vídeo de Inteligência Artificial que retrata Lula se ajoelhando para Trump em troca de não classificar as facções como terroristas.
Os EUA demonstraram interesse em explorar minerais críticos no Brasil, e Lula pediu agilidade na regulamentação dessa atividade. A Câmara aprovou a proposta na quarta-feira.
Os bolsonaristas acreditam que essa negociação pode deslegitimar as críticas de Lula a Flávio Bolsonaro, que foi criticado por sugerir que o Brasil poderia ajudar os EUA a reduzir a dependência da China em relação a terras raras.
O governo brasileiro também priorizou a investigação da Seção 301 contra o Brasil, que permite ao governo dos EUA punir práticas comerciais consideradas injustas. O Planalto pretende apresentar documentos que evidenciem a boa relação comercial entre Brasília e Washington.