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Vaticano reconhece desafios enfrentados por fiéis LGBTQIA+ em novo documento

O Vaticano divulgou um documento histórico que inclui depoimentos de fiéis LGBTQIA+ e critica a terapia de conversão, reconhecendo o estigma enfrentado por essa comunidade.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Em um movimento considerado significativo, o Vaticano publicou um documento que inclui relatos de dois fiéis LGBTQIA+, reconhecendo a contribuição da Igreja Católica para a solidão e o estigma enfrentados por essas pessoas. O texto, intitulado 'Critérios teológicos e metodologias sinodais para o discernimento compartilhado de questões doutrinárias, pastorais e éticas emergentes', critica também os efeitos devastadores da terapia de conversão, conhecida como 'cura gay'.

Elaborado por um grupo de estudos que inclui bispos, padres, uma freira e um leigo, o relatório foi publicado na terça-feira (5) e aborda questões controversas relacionadas à inclusão de pessoas LGBTQIA+. Um dos trechos destaca a solidão e o estigma que essas pessoas enfrentam, tanto na sociedade quanto dentro da Igreja, muitas vezes levando-as a viver em uma 'vida dupla'.

Um dos depoimentos é de um homem gay de Portugal, que compartilha suas experiências dolorosas na comunidade cristã, incluindo terapias de conversão que, segundo ele, ferem a dignidade humana. Ele relata ter sido aconselhado a se casar com uma mulher para 'encontrar paz', o que o fez sentir-se ofendido e prejudicial a outra pessoa.

Outro depoimento, de um homem nos Estados Unidos, afirma que sua sexualidade é um 'presente de Deus' e relata um casamento feliz e saudável. Ele menciona que sua jornada de aceitação foi construída ao longo de anos de oração e convivência em comunidades acolhedoras, apesar de ainda enfrentar episódios de homofobia na Igreja.

Os depoimentos, embora anônimos, enfatizam a necessidade de reconhecimento da dignidade das pessoas LGBTQIA+ pela Igreja Católica. O relatório foi produzido no contexto do Sínodo sobre a Sinodalidade, convocado pelo papa Francisco, que visa discutir o futuro da Igreja.

Embora o documento não proponha mudanças na doutrina, ele gerou reações diversas. Setores conservadores expressaram preocupação com possíveis questionamentos aos ensinamentos da Igreja, enquanto defensores da inclusão celebraram o reconhecimento dos direitos LGBTQIA+. No ano anterior, o Vaticano já havia publicado orientações que permitiram a homens gays se tornarem padres, desde que celibatários, um passo que reflete a postura mais inclusiva do papado de Francisco.

O novo papa, Leão 14, já declarou que seguirá algumas políticas de Francisco, incluindo o acolhimento de católicos gays, mas não pretende promover mudanças drásticas na doutrina católica.

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