A agência reguladora de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos autorizou pela primeira vez a venda de cigarros eletrônicos com sabor de frutas, conforme noticiado pela Associated Press. Essa decisão, que inclui quatro versões de um mesmo produto com sabores de manga, mirtilo e mentol, representa uma mudança significativa, já que até então a agência permitia apenas vapes com sabor de tabaco ou mentol.
Os dispositivos da Glas Inc. serão comercializados sob os nomes Gold, Sapphire, Classic Menthol e Fresh Menthol. A agência enfatizou que a autorização não deve ser interpretada como um endosso e que os produtos são destinados a adultos que desejam parar de fumar ou reduzir o consumo de cigarros.
Para garantir que menores de idade tenham dificuldade em adquirir os produtos, a agência implementou mecanismos de verificação de idade. O consumidor deve validar sua idade por meio de um documento oficial no celular, e o vape só funcionará quando conectado via Bluetooth ao telefone verificado.
Organizações antitabaco expressaram preocupação, afirmando que a medida pode atrair jovens para o consumo. Kathy Crosby, da Truth Initiative, destacou a importância de monitorar rigorosamente o uso de produtos autorizados para proteger os jovens.
Por outro lado, a indústria argumenta que os cigarros eletrônicos podem ajudar a reduzir os danos do tabagismo entre adultos. Dados indicam que o tabaco está associado a cerca de 480 mil mortes anuais nos EUA devido a doenças como câncer e problemas pulmonares e cardíacos.
A autorização dos vapes ocorre após meses de pressão do setor sobre o ex-presidente Donald Trump, que havia descartado a proibição durante sua campanha. Fabricantes e entidades do setor solicitaram ao governo republicano a flexibilização das restrições.
Embora o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes tenha caído para o menor nível em dez anos, grupos de pais e de saúde apontam os sabores como um dos principais atrativos para os jovens. O governo Biden negou mais de um milhão de pedidos de produtos com sabores doces ou de frutas, e a repressão iniciada em 2019 é creditada por ajudar a reduzir o uso entre estudantes.
Apesar da autorização, a maioria dos produtos consumidos por jovens ainda é não autorizada e apresenta sabores de frutas e doces, que são tecnicamente ilegais, mas continuam disponíveis. Esses produtos ilegais costumam ser versões baratas e descartáveis, frequentemente importadas da China, o que representa um desafio para a fiscalização e o controle de acesso por menores.