O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que o país responderá "de forma simétrica" a qualquer violação do cessar-fogo que teve início às 00h de hoje. Essa trégua foi antecipada em 48 horas em relação a uma proposta de Moscou para uma pausa nos dias 8 e 9 de maio, em comemoração à vitória sobre a Alemanha nazista em 1945.
O cessar-fogo, anunciado unilateralmente por Kiev, foi estabelecido após uma série de ataques russos que resultaram na morte de pelo menos 28 pessoas na Ucrânia. Seis horas após o início da trégua, as autoridades russas não relataram ataques provenientes da Ucrânia, enquanto alertas foram emitidos em várias regiões ucranianas, incluindo Kherson e Zaporíjia.
Zelensky condicionou a continuidade da trégua ao cumprimento das condições por parte da Rússia.
Precisamos que esses ataques e todos os outros do mesmo tipo parem todos os dias, e não apenas por algumas horas em algum lugar, em nome de 'celebrações' — afirmou o presidente, criticando a proposta russa como um "cinismo absoluto".
Os ataques russos na terça-feira resultaram em 12 mortes em Zaporíjia, além de outras vítimas em Kramatorsk, Dnipro, Poltava, Kharkiv e Nikopol. Em resposta, um ataque ucraniano na Crimeia deixou cinco mortos, segundo autoridades russas.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, acusou a Rússia de intensificar as hostilidades, afirmando que não há sinais de que Moscou pretenda encerrar os combates. A Ucrânia busca uma trégua prolongada para facilitar negociações visando o fim do conflito iniciado com a invasão russa em fevereiro de 2022.
Uma conversa telefônica entre o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, também abordou a situação na Ucrânia. O analista político Volodymyr Fesenko comentou que a trégua anunciada por Kiev é uma manobra tática e que, caso a Rússia não respeite o cessar-fogo, a Ucrânia não se sentirá obrigada a respeitar o dela.
Moscou, por sua vez, rejeita um cessar-fogo duradouro, argumentando que isso permitiria à Ucrânia reforçar suas defesas. A Rússia exige que a Ucrânia ceda a região de Donetsk antes de qualquer interrupção dos combates.
Recentemente, a área controlada pela Rússia na Ucrânia diminuiu cerca de 120 quilômetros quadrados, a primeira redução desde o verão de 2023, conforme análise baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra.