Dois anos após a tragédia climática que afetou o Rio Grande do Sul, 42 escolas da rede estadual ainda aguardam a conclusão de obras. As instituições estão localizadas na região metropolitana de Porto Alegre e nos vales, áreas severamente impactadas por enchentes e deslizamentos de terra.
A maior parte das obras está concentrada em Canoas, com sete escolas, e Guaíba, com cinco. A Secretaria da Educação informou que sete escolas estão operando em espaços alternativos enquanto novas instalações estão sendo construídas ou planejadas. Os alunos foram realocados para unidades próximas, minimizando o impacto no transporte.
As escolas que ainda estão em reforma continuam funcionando, com a expectativa de que todos os trabalhos sejam finalizados até o final deste ano, conforme a gestão atual. O governo estadual destacou que algumas obras não estão relacionadas apenas aos danos das enchentes, mas também a outras necessidades de infraestrutura.
Dados da administração estadual indicam um investimento de aproximadamente R$ 185 milhões em 164 escolas após as enchentes, com 105 delas já concluídas. As reformas estão sendo financiadas por recursos estaduais e federais, através do Funrigs, que centraliza verbas para a reconstrução do estado.
Após os desastres, 1.104 escolas foram afetadas, sendo 611 delas da rede estadual. As intervenções variaram desde limpeza e reposição de equipamentos até reformas estruturais, como a substituição de telhados e recuperação de instalações sanitárias.
Em Roca Sales, a Escola Padre Fernando está temporariamente em um espaço alugado após ser inundada. A unidade será reaberta em uma nova localização, fora da zona de inundação, com previsão de conclusão das obras para o segundo semestre do próximo ano.
As reformas também contaram com a mobilização da comunidade, especialmente em cidades menores. Em Muçum, a população se uniu para reconstruir a rede municipal após as enchentes de 2023, que causaram perdas significativas.
A coordenadora pedagógica de Muçum relatou que a tragédia afetou toda a comunidade, com professores e pais envolvidos na reconstrução. Algumas escolas foram reinauguradas, mas enfrentaram novos danos em enchentes subsequentes.
Apesar dos desafios, as escolas reestruturadas estão bem equipadas, com doações e verbas públicas. A coordenadora destacou que as tragédias aproximaram as famílias das escolas, aumentando a participação dos pais em eventos escolares.
O retorno das atividades pedagógicas tem sido desafiador, com crianças expressando receio em dias de chuva. A comunidade escolar continua a trabalhar para reconstruir a sensação de segurança e confiança entre os alunos.