O câncer é uma preocupação global, afetando diversos órgãos do corpo humano. No entanto, quando se trata do coração, a situação é bem diferente. Tumores que se desenvolvem diretamente nesse órgão são extremamente raros, levando muitos a questionar a existência do chamado 'câncer de coração'.
De acordo com o cardiologista Brivaldo Markman Filho, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), os tumores cardíacos podem ser classificados como benignos ou malignos, mas representam uma fração mínima entre todos os tipos de câncer. 'O câncer no coração é extremamente raro, ocorrendo em menos de 1% dos casos de câncer', afirma.
A raridade do câncer no coração pode ser atribuída às características das células cardíacas. O oncologista Oren Smaletz, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o desenvolvimento do câncer está ligado a mutações genéticas que ocorrem durante a divisão celular. No coração, esse processo é muito menos frequente. 'As células do coração praticamente não se dividem ao longo da vida, o que reduz a chance de surgirem alterações genéticas capazes de gerar tumores', esclarece.
Assim, a baixa renovação celular do tecido cardíaco diminui o risco de mutações que poderiam levar ao câncer. Apesar de sua raridade, os tumores cardíacos podem ocorrer e são classificados em dois grupos principais: benignos e malignos. Entre os tumores benignos, o mixoma é o mais comum, frequentemente afetando os átrios, especialmente o átrio esquerdo.