O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, deve arquivar a CPI do Master, desconsiderando o requerimento da oposição que busca investigar os desvios no banco. Para que a CPI seja instaurada, é necessária a leitura do requerimento na sessão do Congresso, marcada para esta quinta-feira. No entanto, Alcolumbre optou por evitar a discussão e firmou um acordo com a oposição para que não haja contestações a essa decisão.
Em contrapartida, Alcolumbre pautou o veto ao projeto de lei da dosimetria, que propõe a redução das penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados pelos eventos de 8 de janeiro de 2023. A expectativa é que o veto seja derrubado pelo Congresso.
Conforme informações, Alcolumbre e o relator do projeto, deputado Paulinho da Força, negociaram com a oposição para que a votação do veto não exigisse a leitura do requerimento da CPI do Master. A liderança do Congresso deseja evitar a repercussão do caso, que pode comprometer ainda mais a imagem da classe política, dado que alguns líderes partidários têm vínculos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O acordo para discutir o veto sem a leitura da CPI foi estabelecido quando Alcolumbre anunciou a sessão do Congresso há cerca de três semanas, juntamente com a sabatina de Jorge Messias para o STF, que foi rejeitada pelo Senado.
O governo atual não deve se empenhar para que a CPI do Master seja instalada, considerando que o tema é negativo e pode ofuscar as iniciativas do governo, como a proposta de redução da jornada de trabalho e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
O requerimento para a abertura de uma CPI mista, protocolado pelo deputado Carlos Jordy, conta com o apoio de 281 parlamentares e visa investigar as relações de ministros do STF com Daniel Vorcaro. Além disso, há um pedido do deputado Rodrigo Rollemberg que investiga os desvios do Master com o Banco de Brasília, mas que está paralisado devido a uma fila de pedidos anteriores.
O senador Eduardo Girão também apresentou uma proposta de CPI exclusiva no Senado, mas Alcolumbre não leu esse requerimento. Girão recorreu ao STF, e o caso está sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques, sem decisão até o momento.
Sem o avanço das CPIs sobre o Master, parlamentares têm utilizado outras comissões já instaladas para acessar documentos e relatórios relacionados ao banco. Contudo, as CPIs dos desvios no INSS e do Crime Organizado foram encerradas sem prorrogação de prazo, e não houve votação de relatórios finais para a adoção de medidas adicionais.