Pesquisadores descobriram que o aumento de colesterol em astrócitos, células que desempenham um papel crucial na proteção do cérebro, pode piorar problemas de memória relacionados ao Alzheimer. A pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience, analisou como essas alterações nas células afetaram o sistema de limpeza cerebral e o desempenho cognitivo em camundongos com características da doença.
Conduzido por cientistas da Sun Yat-sen University e do Sun Yat-sen Memorial Hospital, o estudo sugere que os mecanismos associados ao colesterol em astrócitos podem ser alvo de futuras terapias para as fases iniciais do Alzheimer.
Os astrócitos, que são células abundantes no cérebro, têm funções importantes, como nutrir neurônios e controlar o ambiente químico cerebral. Nos últimos anos, seu papel em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, tem sido objeto de crescente interesse científico.
A pesquisa utilizou camundongos do modelo 5xFAD, que desenvolvem placas de beta-amiloide e apresentam prejuízo cognitivo precoce. Os resultados mostraram uma atividade anormalmente elevada de cálcio em astrócitos na região do córtex pré-frontal medial, que está relacionada à memória e funções cognitivas superiores.
Os autores do estudo observaram que a hiperatividade de cálcio levou a um aumento na produção de colesterol dentro dos astrócitos, o que afetou o funcionamento da proteína aquaporina-4 (AQP4). Essa proteína é essencial para o fluxo de água e para o sistema glinfático, que remove resíduos do cérebro durante o sono. Com a AQP4 deslocada, a eficiência do sistema foi comprometida, resultando em prejuízos cognitivos nos camundongos.
Os cientistas implementaram estratégias para reduzir a produção de colesterol nos astrócitos, incluindo o bloqueio da enzima squalene epoxidase e o uso de atorvastatina. Essas intervenções resultaram em melhorias na perfusão glinfática e na performance cognitiva dos animais.
Os resultados sugerem que o colesterol cerebral pode ter um papel mais significativo no Alzheimer do que se pensava anteriormente, destacando os astrócitos como um potencial alvo para tratamento. No entanto, os autores alertam que os resultados obtidos em camundongos devem ser interpretados com cautela, e mais estudos clínicos são necessários para verificar se o controle do colesterol em astrócitos pode realmente retardar os sintomas ou a progressão do Alzheimer em humanos.