Um novo relatório dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirma que Israel está utilizando o acesso à água como uma forma de "arma de guerra" contra os palestinos na Faixa de Gaza. A organização destaca que a privação de água, saneamento e higiene é parte de uma estratégia sistemática que impõe condições de vida desumanas à população civil.
O documento intitulado 'Água como arma: destruição e privação de água e saneamento por Israel em Gaza' identifica três frentes principais dessa estratégia: a destruição da infraestrutura hídrica, o impedimento do acesso humanitário e o bloqueio da entrada de suprimentos essenciais.
O relatório revela que quase 90% da infraestrutura de água e saneamento em Gaza foi danificada ou destruída, incluindo usinas de dessalinização e sistemas de esgoto. Além disso, a MSF relata ataques a caminhões-pipa e poços identificados com seu logotipo, colocando em risco tanto civis quanto trabalhadores humanitários.
As ordens de deslocamento forçado também são mencionadas como um fator crítico. Em julho de 2025, 87% do território estava sob ordens de "evacuação" ou controle militar israelense, e em março de 2026, cerca de 58% da Faixa de Gaza permanecia inacessível para a população e equipes humanitárias, dificultando reparos em estruturas essenciais.
Outro ponto alarmante é o bloqueio de insumos básicos. Desde outubro de 2023, a entrada de eletricidade, combustível, geradores e outros suprimentos essenciais foi severamente restringida. A MSF informa que, desde 1º de janeiro de 2026, todos os pedidos para a entrada de suprimentos foram rejeitados pelo sistema controlado por Israel.
Como resultado, a escassez de água se tornou uma realidade fabricada. Apesar de ser a maior produtora não governamental de água potável em Gaza, a MSF relata que, entre maio e novembro de 2025, uma em cada cinco distribuições não conseguiu atender a demanda.
O impacto na saúde da população é significativo. Entre maio e agosto de 2025, quase 25% dos moradores entrevistados relataram doenças gastrointestinais. Além disso, infecções respiratórias e diarreia passaram a ser as principais causas de atendimento médico, especialmente entre crianças.
Diante dessa situação, a MSF exige que Israel restabeleça o acesso à água e suspenda as restrições à ajuda humanitária. A organização também pede que países aliados exerçam pressão política e econômica para impedir o que considera o "uso da água como arma" e garantir a proteção da população civil em Gaza.