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Tunísia suspende Liga dos Direitos Humanos após críticas ao governo

O governo tunisiano suspendeu as atividades da Liga dos Direitos Humanos por um mês, em meio a um contexto de repressão crescente à sociedade civil e à liberdade de expressão no país.
Foto: G1

As autoridades da Tunísia determinaram a suspensão das atividades da Liga dos Direitos Humanos (LTDH) por um período de um mês, conforme comunicado do próprio grupo. A LTDH, que faz parte do quarteto da sociedade civil que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2015, denunciou a medida como parte de um padrão mais amplo de restrições à sociedade civil e às vozes independentes.

Recentemente, o governo tunisiano também suspendeu outras organizações significativas, como a organização Mulheres Democráticas e o Fórum de Direitos Econômicos e Sociais. Críticos apontam que a repressão contra ONGs, grupos de oposição e jornalistas se intensificou desde que o presidente Kais Saied assumiu poderes adicionais em 2021.

A LTDH, conhecida por sua postura crítica em relação a Saied, tem alertado sobre a tendência autoritária do governo desde que o presidente suspendeu o parlamento e começou a governar por decreto. Apesar de Saied afirmar que não se tornará um ditador e que as liberdades estão asseguradas, a liga e outros grupos de direitos humanos questionam a veracidade dessas declarações.

Desde 2022, o presidente dissolveu o Conselho Judiciário Supremo e demitiu juízes, o que, segundo opositores, comprometeu a independência do sistema judiciário. Nos últimos meses, a LTDH também enfrentou restrições em suas atividades, sendo impedida de inspecionar prisões em várias cidades.

Fundada em 1976, a LTDH é considerada um pilar na defesa dos direitos humanos na Tunísia e uma das organizações mais antigas do mundo árabe e africano. O grupo foi um dos quatro a receber o Nobel da Paz em 2015, em reconhecimento ao seu papel na transição democrática do país.

Além disso, a repressão à liberdade de expressão se intensificou com a detenção do jornalista Zied Heni, que foi preso após criticar o judiciário. O sindicato dos jornalistas da Tunísia classificou a prisão como arbitrária e parte de uma campanha mais ampla para intimidar a imprensa.

A liberdade de expressão, que havia prosperado após a revolta de 2011, enfrenta desafios significativos sob o governo de Saied, com a prisão de líderes da oposição e jornalistas sob diversas acusações, incluindo conspiração e corrupção.

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