A anemia, que se caracteriza pela diminuição da hemoglobina ou dos glóbulos vermelhos no sangue, foi associada a um risco elevado de demência em indivíduos com 60 anos ou mais. Essa conclusão é parte de um estudo publicado no periódico JAMA Network Open. Os pesquisadores descobriram que idosos com anemia apresentaram 66% mais risco de desenvolver demência em comparação aos que não tinham a condição.
Além disso, a pesquisa identificou uma relação entre anemia e marcadores biológicos associados a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. O estudo utilizou dados do Swedish National Study on Aging and Care in Kungsholmen (SNAC-K), que acompanha o envelhecimento de moradores de Estocolmo, na Suécia. Foram analisados 2.282 participantes com 60 anos ou mais, todos sem demência no início da pesquisa, que ocorreu entre 2001 e 2004 e se estendeu até 2019.
Durante o acompanhamento, 362 participantes desenvolveram demência, representando 15,9% do total analisado. Após ajustes para fatores como idade, sexo, escolaridade e doenças crônicas, a anemia continuou a estar associada a um maior risco de diagnóstico futuro.
Demência é um conjunto de sinais e sintomas que incluem esquecimentos frequentes e dificuldade em lembrar nomes. O SUS oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, incluindo Alzheimer. Um diagnóstico precoce pode possibilitar ações terapêuticas que retardam os sintomas e melhoram a qualidade de vida.
Os pesquisadores também observaram que participantes com anemia apresentavam níveis elevados de biomarcadores sanguíneos relacionados a lesões e degeneração cerebral, como p-tau217, NfL e GFAP. Esses achados sugerem uma conexão entre anemia e processos biológicos que afetam o declínio cognitivo.
Os autores enfatizam que o estudo mostra uma associação, e não uma relação de causa e efeito, e que a anemia, uma condição comum entre os idosos, pode estar ligada a causas tratáveis. Eles sugerem que monitorar a anemia em adultos mais velhos pode ser crucial para a saúde geral e para o envelhecimento cerebral.
Novas pesquisas serão necessárias para determinar se o tratamento da anemia pode efetivamente reduzir o risco de demência no futuro.