O vício em dopamina ganhou destaque nas redes sociais, onde a sensação imediata de recompensa, como receber muitos likes ou ver vídeos de animais, se tornou comum entre adultos e crianças. No entanto, do ponto de vista clínico, essa questão é mais complexa e frequentemente mal interpretada.
De acordo com o psiquiatra Fabrício Valiante, a dopamina não deve ser vista apenas como o 'hormônio do prazer'. Ele esclarece que sua função está mais relacionada à antecipação e ao aprendizado por recompensa. O verdadeiro problema não é a busca pelo prazer, mas sim a criação de um ciclo de busca incessante por estímulos rápidos.
O psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da plataforma Doctoralia, complementa que o foco não deve estar no excesso de dopamina, mas sim no padrão de comportamento que se desenvolve. Ele destaca que atividades como redes sociais e jogos utilizam reforços imprevisíveis, o que aumenta a repetição desses comportamentos.
Isso resulta em um cérebro que opera em um estado de expectativa constante, sempre à espera da próxima recompensa, seja ela uma curtida, uma notificação ou uma nova atualização no feed.