Search

Negociações entre Israel e Líbano ocorrem após morte de jornalista

Uma nova rodada de negociações entre Israel e Líbano está marcada para esta quinta-feira, um dia após a morte da jornalista Amal Khalil em um ataque israelense no sul do Líbano.
Foto: G1

As negociações em Washington entre os embaixadores do Líbano e de Israel estão agendadas para esta quinta-feira, com a participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. O encontro acontece um dia após o ataque israelense que resultou na morte da jornalista libanesa Amal Khalil, no sul do Líbano.

Além de Khalil, uma fotógrafa que a acompanhava também ficou ferida, conforme informações de um alto oficial militar libanês e do jornal Al-Akhbar, onde Khalil trabalhava. O presidente libanês, Joseph Aoun, anunciou que a embaixadora libanesa em Washington, Nada Moawad, solicitará a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições israelenses em vilarejos do sul.

Em 16 de abril, Israel e Líbano concordaram com um cessar-fogo de dez dias, anunciado pelo então presidente dos EUA, Donald Trump. Um funcionário libanês afirmou que Beirute busca a extensão da trégua como condição para avançar nas negociações, que poderiam incluir a retirada israelense, a devolução de libaneses detidos em Israel e a definição da fronteira terrestre.

O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, declarou que o país tomou uma 'decisão histórica' de negociar diretamente com o Líbano após mais de 40 anos, referindo-se ao Líbano como um 'Estado falido'. Ele enfatizou a necessidade de trabalhar contra o Hezbollah, que considera um 'Estado terrorista' em território libanês.

Desde a criação de Israel em 1948, Líbano e Israel permanecem oficialmente em estado de guerra. O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, se opõe a negociações diretas, sugerindo que Beirute poderia negociar indiretamente. O líder político druso Walid Jumblatt afirmou que o máximo que o Líbano pode oferecer é uma atualização do acordo de armistício de 1949.

A morte de Amal Khalil, de 43 anos, elevou o número de mortos em um dia que se tornou o mais letal desde o início do cessar-fogo. Khalil e a fotógrafa Zeinab Faraj estavam cobrindo eventos na região de al-Tayri quando um ataque israelense atingiu o veículo à frente delas. Elas buscaram abrigo em uma casa próxima, que também foi alvo de um ataque.

Os socorristas conseguiram resgatar Faraj, que sofreu um ferimento na cabeça, mas enfrentaram dificuldades para acessar Khalil devido a um ataque israelense que impediu a conclusão da missão de resgate. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, classificou o ataque a jornalistas e a obstrução dos esforços de resgate como 'crimes de guerra', prometendo levar o caso a instâncias internacionais.

O Exército israelense, por sua vez, negou ter impedido o acesso das equipes de resgate e afirmou que os ataques visavam veículos que representavam uma ameaça à segurança de suas tropas. A situação permanece tensa, com mais de 2,4 mil pessoas mortas no Líbano desde o início da ofensiva israelense em resposta a ataques do Hezbollah.

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE