O Parlamento do Reino Unido aprovou nesta terça-feira (21/4) o Tobacco and Vapes Bill, projeto considerado histórico, que cria uma proibição permanente da venda de cigarros para pessoas nascidas a partir de 1º de janeiro de 2009. Na prática, essa geração nunca poderá comprar legalmente produtos de tabaco no país. A proposta precisa receber a sanção real — etapa formal para entrar em vigor —, mas é tratada como uma das medidas de saúde pública mais ambiciosas adotadas pelo país nos últimos anos. Leia também Brasil Saiba qual será o preço mínimo do cigarro no Brasil após alta do IPI Saúde Cigarro eletrônico pode causar câncer, confirma revisão de 100 estudos Brasil Vigilante dorme com cigarro aceso e provoca incêndio de prejuízo milionário Saúde Vício em cigarro eletrônico faz adolescente perder pedaços do pulmão Atualmente, a idade mínima para comprar cigarros no Reino Unido é de 18 anos. Com a mudança, o limite passará a subir gradualmente: a cada ano, a idade legal de compra aumenta em um ano para as gerações mais novas. Na prática, uma pessoa nascida em 2009 poderá completar 30 ou 40 anos no futuro e continuará impedida de comprar cigarros legalmente. A estratégia busca evitar que adolescentes iniciem o consumo de nicotina, fase em que muitos fumantes experimentam o primeiro cigarro. As autoridades britânicas defendem que o tabagismo continua sendo uma das principais causas evitáveis de morte. Segundo dados citados pelo governo britânico, fumar provoca cerca de 64 mil mortes por ano na Inglaterra. O hábito também pesa sobre o sistema público de saúde. Estimativas apontam custo anual de, aproximadamente, R$ 20,5 bilhões ao Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS), com tratamentos e impactos relacionados ao cigarro. Além de câncer, o tabagismo está associado ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, AVC, enfisema pulmonar e outros problemas respiratórios. Projeto também mira cigarros eletrônicos O texto aprovado não trata apenas do cigarro tradicional. A proposta também endurece regras para cigarros eletrônicos, vapes e outros produtos de nicotina. Entre as medidas previstas estão restrições de venda a menores de 18 anos, publicidade, promoções e embalagens voltadas ao público jovem. O governo também discute limites para sabores que possam atrair adolescentes. 14 imagensFechar modal.1 de 14Cada vez mais popular no Brasil, o vape, cigarro eletrônico ou e-cigarrette tem se tornado um verdadeiro fenômeno entre os jovens. O produto, geralmente, tem aparência semelhante a de um cigarro comum, mas também pode ser encontrado em formato de pen drive ou canetaMartina Paraninfi/Getty Images2 de 14Em uma embalagem colorida, com sabores diferentes, sem o cheiro ruim do cigarro tradicional e com uma grande quantidade de fumaça, os produtos são muito comuns, especialmente, entre pessoas de 18 a 24 anos, apesar de serem proibidos no BrasilLeonardo De La Cuesta/Getty Images3 de 14No geral, o produto é composto por bateria, atomizador, microprocessador, lâmpada LED e cartucho de nicotina líquida. Esses mecanismos são responsáveis por aquecer o líquido que produz o vapor inalado pelos usuáriosDirk Kruse / EyeEm/Getty Images4 de 14Apesar de serem bastante usados no mundo inteiro e, inicialmente, tenham sido introduzidos no comércio como uma alternativa para os cigarros comuns, os vapes são perigosos para a saúde, segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM)Martina Paraninfi/Getty Images5 de 14Os médicos afirmam que os cigarros eletrônicos são “uma ameaça à saúde pública” e oferecem ainda mais riscos do que os cigarros comuns, além de serem porta de entrada dos jovens no mundo da nicotinaYana Iskayeva/Getty Images6 de 14Esses especialistas afirmam que o filamento de metal que aquece o líquido é composto de metais pesados que acabam sendo inalados, como o níquel, substância cancerígenaShahril Affandi Khairuddin / EyeEm/Getty Images7 de 14Ainda segundo os especialistas, o líquido produzido pelo cigarro eletrônico tem pelo menos 80 substâncias químicas consideradas perigosas e responsáveis por reforçar a dependência na nicotinasestovic/Getty Images8 de 14Além disso, o uso diário de cigarros eletrônicos causa estado inflamatório em vários órgãos do organismo, incluindo o cérebro. Novas pesquisas indicam que a utilização também pode desregular alguns genes e fazer com que o usuário desenvolva uma condição chamada EVALE, lesão causada pelo produto nos pulmõesRyanJLane/Getty Images9 de 14O neurologista Wanderley Cerqueira, do Hospital Albert Einstein, explica que os efeitos no usuário variam dependendo da nicotina e dos sabores líquidos, que influenciam a forma como o corpo responde às infecções. Segundo ele, vapes de menta, por exemplo, deixam as pessoas mais sensíveis aos efeitos da pneumonia bacteriana do que outros aromatizantesseksan Mongkhonkhamsao/Getty Images10 de 14O especialista alerta que as células imunológicas parecem ser desativadas à medida que os pulmões são continuamente encharcados com produtos químicos. Esse processo enfraquece as defesas do organismo contra ameaças como pneumonia ou câncerDiego Cervo / EyeEm/Getty Images11 de 14Ainda segundo o médico, mesmo os vapes sem sabor são perigosos. Isso porque eles possuem outros aditivos químicos em sua composição, como propilenoglicol, glicerina, formaldeído e a própria nicotina, que causa câncerhocus-focus/Getty Images12 de 14Uma pesquisa da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, encontrou níveis perigosos de toxinas em produtos usados para conferir sensação mentolada em cigarros eletrônicos. Foram verificados problemas em várias marcas dessas substâncias mas, principalmente, na Puffbar, uma das mais populares do mundo HEX/Getty Images13 de 14Os cientistas encontraram níveis das toxinas WS-3 e WS-23 acima dos considerados seguros pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no fluido do produto. Dos 25 líquidos analisados, 24 tinham WS-3, por exemploGetty Images14 de 14As substâncias são usadas em aditivos alimentícios para dar o “frescor” do mentolado sem o sabor de menta, mas não devem ser inaladas. Elas são encontradas também em produtos nos sabores de manga ou baunilhaDaniel Cabajewski / EyeEm/Getty Images A experiência britânica com a nova regra deve ser acompanhada de perto por outros governos, que enfrentam desafios semelhantes com cigarro tradicional e dispositivos eletrônicos. Ainda haverá alguns empecilhos, como fiscalização do comércio e combate ao mercado ilegal. Mesmo assim, a aprovação do projeto marca uma mudança simbólica importante, direcionada a tornar o cigarro cada vez mais distante da rotina das próximas gerações. Receba notícias de Saúde e Ciência no seu WhatsApp e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal de notícias do Metrópoles no WhatsApp. Para ficar por dentro de tudo sobre ciência e nutrição, veja todas as reportagens de Saúde.