A investigação da Polícia Federal (PF) revelou um esquema complexo de lavagem de dinheiro que movimentou bilhões de reais provenientes de apostas ilegais, resultando em luxo, influência e financiamento do crime organizado. MC Ryan SP é identificado como o suposto líder da operação.
Documentos analisados pela PF indicam que a estrutura do esquema seguia as três etapas clássicas da lavagem de dinheiro, mas em uma escala industrial, utilizando tecnologia, empresas de fachada e uma rede de operadores.
Plataformas ilegais, como o 'Jogo do Tigrinho', serviam como porta de entrada para o dinheiro. Milhares de pessoas realizavam depósitos, principalmente via Pix, em contas de empresas intermediadoras. A técnica de 'smurfing' era utilizada para fragmentar os valores em pequenas quantias, evitando alertas do sistema financeiro.
A PF acredita que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 1,6 bilhão, com medidas de constrição patrimonial e sequestro de bens já determinadas. A operação também mira outras figuras conhecidas do cenário musical e digital.
O fluxo inicial de dinheiro foi facilitado por falhas de instituições financeiras que aceitavam cadastros inconsistentes. Após a entrada do dinheiro no sistema, o grupo utilizava contas de passagem e empresas de fachada para ocultar sua origem.
Os investigadores identificaram que os valores eram misturados ao faturamento de atividades legítimas, especialmente na indústria do entretenimento, e convertidos em bens de alto valor, como carros de luxo e itens de grife.
Um exemplo citado é a construção de um lago artificial avaliado em quase R$ 1 milhão, pago por meio de uma 'via paralela corporativa'. Parte dos recursos também alimentava operações de tráfico internacional, incluindo a aquisição de um veleiro interceptado com toneladas de cocaína.
Fonte: Metropoles