O Papa Leão XIV abordou neste sábado o recente atrito com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante sua viagem pela África. Ele afirmou que as reportagens sobre seus comentários não refletiram a precisão necessária.
Em uma coletiva de imprensa a bordo de seu voo para Angola, o pontífice, que é o primeiro papa norte-americano, esclareceu que suas declarações feitas em Camarões, onde mencionou que o mundo estava sendo 'devastado por um punhado de tiranos', não tinham como alvo Trump.
Leão XIV explicou que seu discurso foi elaborado duas semanas antes, antes mesmo de Trump fazer comentários sobre ele e sua mensagem de paz. O presidente, por sua vez, havia criticado o papa em uma publicação na rede Truth Social, chamando-o de 'fraco no combate ao crime e terrível em política externa'.
Além disso, Trump compartilhou uma imagem gerada por inteligência artificial que o retratava de forma semelhante a Jesus, o que gerou reações negativas, inclusive entre seus apoiadores conservadores. A postagem foi removida no dia seguinte.
O pontífice, que tem se manifestado sobre a guerra entre EUA e Israel contra o Irã, afirmou que continuará a abordar o conflito. Na quinta-feira, ele criticou líderes que investem bilhões em guerras, sem mencionar Trump diretamente, mas suas palavras foram interpretadas como uma crítica ao presidente.
Leão XIV destacou que não tinha interesse em debater com Trump, apesar das interpretações de suas declarações. Desde o início de seu pontificado, ele tem adotado um tom mais incisivo, especialmente durante sua complexa turnê africana, que abrange 11 cidades em quatro países.