O Hezbollah apresentou uma proposta de cessar-fogo de uma semana a Israel, com início previsto para as 0h desta quinta-feira. A informação foi divulgada pela TV Al-Mayadeen, vinculada ao grupo libanês, e agora será avaliada pelo gabinete do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.
O governo israelense, mantendo sua postura de pressão, afirmou que continuará suas operações no sul do Líbano, onde está criando uma zona tampão até o rio Litani, a cerca de 30 km de sua fronteira. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, descreveu a região como uma 'zona da morte' para o Hezbollah, que historicamente realiza ataques a partir de áreas montanhosas no Líbano.
De acordo com a Al-Mayadeen, a proposta de trégua foi comunicada por Teerã, que busca prolongar seu próprio cessar-fogo com os Estados Unidos. Os combates na região cessaram na semana passada, mas o prazo para um acordo entre os EUA e o Irã se encerra na próxima terça-feira.
O Irã recebeu uma delegação militar do Paquistão para discutir novas propostas de negociação com os EUA. A intenção de Teerã é adiar o fim da trégua em pelo menos duas semanas, enquanto questões delicadas, como a produção de urânio enriquecido e a navegação no estreito de Hormuz, permanecem em pauta.
Netanyahu não incluiu o Hezbollah nas discussões sobre o cessar-fogo, apesar de o grupo ter iniciado ataques contra Israel no início do atual conflito. Israel intensificou suas ofensivas, resultando em mais de 300 mortes em um único dia, e iniciou negociações diretas com o Líbano, excluindo o Hezbollah.
O deputado do Hezbollah, Hassan Fadlallah, criticou as negociações sem a participação do grupo, prevendo um fracasso e a possibilidade de uma nova guerra civil no Líbano. A proposta de trégua pode ser uma tentativa do Hezbollah de preservar suas capacidades militares, mas Netanyahu parece determinado a eliminar a ameaça representada pelo grupo.
Os combates continuam, com relatos de mortes e ataques a Israel. A situação no Líbano é crítica, com o país enfrentando uma das maiores perdas populacionais em decorrência do conflito. Tanto o presidente quanto o primeiro-ministro libanês desejam ver o Hezbollah desarmado, mas carecem de força militar para tal.
A ocupação do sul do Líbano por Israel poderia ser uma estratégia simbólica para Netanyahu, que buscaria garantir que o Hezbollah não utilizasse a região para ataques futuros. No entanto, a resistência do grupo pode levar a um conflito interno ou a uma rearmamento furtivo.