A trajetória de Fábio Fernandes, de 48 anos, ilustra um recomeço após um período de dor e fragilidade. Internado em estado grave no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, em Santa Rita, o paciente, morador de Sousa, na Paraíba, surpreendeu a equipe médica com sua recuperação.
Fábio chegou ao hospital sem memória dos eventos que o levaram à internação. Ele relatou que estava em luto pela morte do pai e havia consumido uma grande quantidade de álcool no dia do incidente.
Eu não me lembro de nada quando cheguei aqui. Tenho uma vaga lembrança que eu estava no sítio dos meus pais e, neste dia, eu bebi muito, porque eu havia perdido meu pai fazia poucos dias e não aceitava
, contou.
A última lembrança que possui é de estar no sítio e ouvir a esposa chamando por ele.
O pouco que eu me lembro é que fui para a piscina e ouvi a voz da minha esposa me chamando, uma voz distante. Quando eu me dei conta, eu já estava no hospital
, recordou.
A médica intensivista Irla Camboim, que acompanhou o caso, explicou que Fábio foi admitido em fevereiro, apresentando um quadro crítico, com histórico de bradicardia e dois episódios de parada cardiorrespiratória.
Tratou-se de uma internação extremamente complexa, marcada por múltiplas complicações graves — destacou.
As intervenções essenciais para a recuperação incluíram reanimação cardiopulmonar eficaz, suporte ventilatório invasivo, manejo intensivo da sepse e traqueostomia, que foi crucial para a recuperação do paciente.
A médica enfatizou que a recuperação foi resultado de um cuidado diário e assistência multidisciplinar.
Um paciente que evolui com duas paradas cardiorrespiratórias prolongadas e sepse grave normalmente apresenta prognóstico reservado — explicou.
O consumo excessivo de álcool pode ter contribuído para o quadro clínico de Fábio, podendo desencadear complicações cardiovasculares e aumentar a suscetibilidade a infecções.
Maria Daiana, esposa de Fábio, acompanhou a evolução do quadro e destacou o suporte da equipe médica.
Fomos muito bem recebidos aqui. Todos os dias que eu chegava, os médicos me informavam que o estado dele era muito grave, mas que eu não perdesse a confiança na recuperação dele — disse.
Após 30 dias sem despertar, Fábio acordou e sua recuperação foi considerada incomum.
Quando ele acordou, todo mundo se referiu a ele como ‘milagre’. Ele ficou conhecido assim na UTI
, contou Maria.
Fábio considera sua recuperação uma nova oportunidade de vida.
Graças a Deus, eu tive uma nova oportunidade, uma grande oportunidade — afirmou, agradecendo à equipe do hospital pelo atendimento recebido.
A médica intensivista reforçou a importância do cuidado preventivo e do controle de doenças crônicas.
Casos como esse demonstram que, mesmo diante de prognósticos extremamente reservados, a assistência intensiva qualificada pode proporcionar desfechos extraordinários — concluiu.