O bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irã completou três dias, com relatos divergentes sobre sua eficácia. A medida, determinada por Donald Trump, visa pressionar Teerã durante negociações de paz entre os países.
Um dos casos mais notáveis é o do navio chinês Rich Starry, que já havia sido sancionado por transportar petróleo iraniano. Após deixar o Golfo Pérsico e passar pelo Estreito de Hormuz, o navio retornou e está ancorado próximo ao Irã, transportando 250 mil barris de metanol dos Emirados Árabes Unidos, o que pode o manter fora do escopo do bloqueio.
A situação é complexa, pois não está claro se a embarcação pagou o pedágio que Teerã tentou instituir em sua nova rota. O líder chinês Xi Jinping criticou o conflito, e sua chancelaria descreveu as restrições como irresponsáveis.
A agência de notícias iraniana Fars relatou que um superpetroleiro conseguiu furar o bloqueio americano e chegou a um porto iraniano, embora não haja confirmação desse fato por monitores de tráfego marítimo. O Irã alega que não há prejuízo, pois os EUA permitiram o comércio de petróleo fora da região.
Além disso, o Irã considera utilizar portos menos operados na costa sul do país, embora a viabilidade dessa estratégia seja questionável, já que 90% do petróleo iraniano é exportado pela ilha de Kharg, no Golfo Pérsico.
Os EUA afirmam ter mobilizado 10 mil soldados para monitorar navios que operam em modo fantasma, e pelo menos dois petroleiros foram forçados a retornar após tentativas de saída do porto iraniano de Chabahar.
Na terça-feira, pelo menos oito navios passaram pelo Estreito de Hormuz, indo ou vindo de portos não cobertos pelo embargo. Entre eles estava o superpetroleiro Alicia, que transportava petróleo iraniano e se dirigia ao Iraque.
As informações contraditórias surgem em um momento em que os EUA buscam uma solução para o conflito, que começou em 28 de fevereiro, antes da expiração da trégua na próxima terça-feira. Trump expressou otimismo sobre um possível acordo.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o Irã prefere a paz à guerra, enquanto Trump parece buscar uma solução para a crise em Hormuz e um acordo sobre o programa nuclear iraniano.