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Candidaturas femininas crescem na Paraíba, mas representatividade ainda é baixa

Por Juliana Cavalcanti Nas eleições 2024, a Paraíba possuía 3.225.312 cidadãos aptos a votar e quase 53% deste total (1.696.849 pessoas), eram mulheres, representando a maioria do eleitorado paraibano, de acordo com o.....
Foto: Polêmica Paraíba

Por Juliana Cavalcanti

Nas eleições 2024, a Paraíba possuía 3.225.312 cidadãos aptos a votar e quase 53% deste total (1.696.849 pessoas), eram mulheres, representando a maioria do eleitorado paraibano, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Elas são maioria em quase todas as faixas etárias, especialmente entre 16 e 17 anos e entre 40 e 89 anos, mas embora elas estejam em quantidade suficiente para decidir as eleições, estes números não se refletem na quantidade de candidatas eleitas. Na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), por exemplo, apenas seis estão presentes entre os 36 deputados estaduais: Camila Toscano (MDB), Cida Ramos (PT), Danielle do Vale (Republicanos), Dra Jane Panta (PP), Dra Paula (PP) e Francisca Motta (Republicanos). No Senado Federal, Daniella Ribeiro (PSD) ocupa uma cadeira e na Câmara dos Deputados, nenhuma mulher representa a Paraíba na atual legislatura (2023-2027) e todas as 12 vagas correspondentes ao Estado são ocupadas por homens.

Apesar da força de alguns nomes – seja porque vieram de grupos políticos tradicionais ou porque construíram trajetórias a partir de movimentos sociais ou carreiras técnicas – a representatividade feminina nos espaços de decisão majoritária ainda enfrenta barreiras e os dados evidenciam a predominância masculina nas estruturas partidárias, demonstrando o contraste entre o volume do eleitorado e a ocupação real. Para as Eleições 2026, uma das tendências é aumentar a quantidade de mulheres eleitas, conforme explica a doutora em Sociologia e pesquisadora de pensamento político brasileiro, Anna Kristyna Barbosa.

Segundo o TSE, em 2022, foram 752 registros de candidatura no Estado, sendo 257 mulheres. Deste total, 62,65 % (161 mulheres) eram candidatas a Deputada Estadual e 34,63 % (89) para Deputada Federal. A expectativa agora é ampliar a presença feminina nos cargos eletivos, alteração que de acordo com a professora poderá fortalecer a democracia brasileira ao ampliar vozes, perspectivas e possibilidades de construção política.

A entrada de mais mulheres pode diversificar as perspectivas no debate público, trazendo maior atenção a temas como saúde, educação, combate à violência e políticas sociais. A participação feminina pode influenciar o estilo do debate político, muitas vezes associado a práticas mais colaborativas, o que pode ajudar a qualificar o diálogo em um cenário marcado por tensões

.

Para ela, a presença feminina na política paraibana é crescente, mas ainda limitada em destaque e poder de decisão, pois apesar do aumento da participação em espaços institucionais e partidários nos últimos anos, elas continuam sendo minoria nas prefeituras, Assembleias Legislativas e posições de liderança nos partidos. Portanto, é um engajamento ativo, mas com pouco destaque estrutural.

A representação feminina ainda está longe de ser proporcional. As mulheres participam e atuam, porém enfrentam dificuldades que reduzem sua visibilidade e influência, como a cultura política tradicionalmente masculina, a falta de apoio efetivo dentro dos partidos, a distribuição desigual de recursos de campanha e a violência política de gênero

, destaca.

De acordo com a pesquisadora, a discussão sobre representatividade na Paraíba está no centro das atenções para as eleições de 2026 e o foco está em fortalecer políticas de incentivo à participação feminina, garantindo o cumprimento das cotas e maior apoio financeiro e estrutural às candidaturas de mulheres. Ela também ressalta a importância de investir na formação de lideranças femininas, promover mudanças culturais que combatam preconceitos e avançar no enfrentamento da violência política de gênero.

Dessa forma, será possível ampliar não apenas a presença, mas também o protagonismo das mulheres na política paraibana

, argumentou.

Mudanças nas prefeituras

Se na ALPB, o número de eleitas segue estagnado desde 2018, o cenário municipal é mais otimista: nas eleições municipais de 2024, o TSE registrou 10.234 candidaturas na Paraíba, sendo 34% mulheres. Ao todo, foram 3.464 candidatas, 3.208 para vereadoras, 115 para prefeitas e 141 para vice-prefeitas. Naquele ano, 54 candidatas foram escolhidas para o cargo de prefeita, um aumento de 45,9% em comparação às 37 eleitas em 2020. Já para o cargo de vereadora, 452 mulheres foram eleitas, um crescimento de 25% em relação às 360 eleitas em 2020.

Entre as cidades que hoje são governadas por mulheres desde 2025 estão Araçagi (Josilda Macena), Bayeux (Tacyana Leitão), Cajazeiras (Corrinha), Conde (Karla Pimentel), Guarabira (Léa Toscano), Monteiro (Ana Paula), Pilões (Soraya Sales) e Rio Tinto (Magna Gerbasi). Além do Executivo municipal, o destaque da última eleição foi Campina Grande, onde as três maiores votações para a Câmara Municipal foram de Jô Oliveira (PCdoB), Carol Gomes (União Brasil) e Ivonete Ludgério (União Brasil). A CMCG possui oito vereadoras atualmente, um cenário oposto ao da Capital do Estado, onde apenas duas mulheres (entre 29 vereadores) ocupam vagas na Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP).

Os aumentos são importantes, mas estão distantes da paridade. Segundo a professora, é aí onde está a eficiência do voto feminino, já que elas são maioria no eleitorado. Conforme a estudiosa, a representatividade feminina nos cargos políticos brasileiros ainda é marcada por uma forte desigualdade estrutural, explicada pela permanência de uma estrutura patriarcal que historicamente excluiu as mulheres da vida pública e política, especialmente as mulheres negras, periféricas e de baixa renda.

Por isso, Anna Kristyna reforça a relevância de eleger mais mulheres para tornar o sistema político mais próximo da realidade social. Além disso, a pesquisadora lembra o efeito simbólico dessa mudança, já que irá incentivar outras mulheres a participarem da política.

Nominatas

As articulações para a eleição visando uma das 36 vagas na Assembleia Legislativa ou uma das 12 vagas do Estado na Câmara Federal, dominaram a política paraibana nas últimas semanas de filiação e encerramento de janela partidária. Em outros estados brasileiros, destacam-se as pré-candidatas a governadoras Mailza Assis (Acre), Celina Leão ( Distrito Federal) e Hana Ghasssan (Pará). Para a presidência da República, Samara Martins (UP) surge como pré-candidata. Na Paraíba, não foram anunciadas pré-candidatas ao governo, mas existe expectativas para a vaga de vice-governadora. Na oposição, o senador Efraim Filho (PL) desponta como um dos principais pré-candidatos ao Governo do Estado e para compor a chapa surge como possibilidade a médica Juliana Cunha Lima (PL). Pela base governista, o governador Lucas Ribeiro (PP) vai disputar a reeleição e entre as alternativas para vice estão a deputada estadual e presidente do PT na Paraíba,Cida Ramos.

Como pré-candidatas a deputadas estaduais e federais, vários nomes foram revelados. Confira a seguir algumas das nominatas divulgadas, de acordo com o partido

ALPB

PDT: O Partido Democrático Trabalhista na Paraíba concluiu a formação da nominata de pré-candidatos que irão disputar vagas na Assembleia Legislativa da Paraíba. A legenda reúne cerca de 20 pré-candidatos para compor a chapa proporcional e entre as pré-candidatas estão Denise Ribeiro e Joana Estrela.

Republicanos: o partido com a maior bancada da ALPB projeta ampliar esse espaço com nomes como o de Olívia Motta, Danielle do Vale e Leonice Lopes.

PL: O partido luta para ampliar sua bancada na Assembleia com Cilinha Dias e Geska Maia.

MDB – Entre as pré-candidatas a deputada estadual pelo partido estão Ana Cláudia Vital e Larúcia Sá – esposa do atual prefeito de São João do Rio do Peixe, Luiz Claudino (PSB) – além da deputada estadual, Camila Toscano.

Rede Sustentabilidade: Entre as novas filiações com foco na disputa por vagas na Assembleia Legislativa está o nome da esposa do ex-deputado Buba Germano, Gilma Germano, de Picuí, que reforça o projeto político do partido no interior do estado.

PSB: Após a saída de nomes fortes, a legenda de João Azevêdo pode não ser uma das maiores bancadas da Assembleia nas próximas eleições. O PSB irá lançar 37 candidatos a deputado estadual, entre eles a tenente-coronel Viviane Vieira, além de Rayssa Lacerda e a vereadora de Campina Grande, Kallyna Dias. Também são pré-candidatas a deputada estadual Aldenora Bezerra, Gabriella Varandas, Jane Alves, Mirella Braga, Cibeli Barros e Wiviane Paiva.

Câmara Federal

PSD: Até o momento, o Partido Social Democrático na Paraíba conta com dez nomes definidos para compor a nominata da legenda no estado. A estratégia do partido é garantir, no mínimo, dois eleitos no próximo pleito. Entre as mulheres estão Germana Wanderley (ampliando a presença do partido no Sertão), Leila Fonseca ( fortalecendo a atuação na Capital) e Ivonete Ludgério (consolidando a presença do PSD em Campina Grande).

PSB: Entre as mulheres, os nomes revelados até o momento são Jailma Carvalho, Raquel Maroja, Lídia Moura e Cris Furtado. Outros nomes cotados para compor a nominata para a Câmara são a protetora dos animais Fabíola Rezende e a apresentadora Fernandinha Albuquerque.

PL: O partido luta para ampliar a bancada com as pré-candidatas Carol Gomes, Gerana Gouveia e Munique Marinho.

PP e União Brasil (Federação Partidária PP/UB): O Partido Progressista (PP) e a União Brasil (UB) na Paraíba oficializaram a formação da nominata de pré-candidatos que disputarão vagas de deputado federal. A meta da legenda é eleger três representantes para a Câmara dos Deputados e a lista reúne nomes conhecidos na política estadual como Pollyanna Werton (PP), Elisa Virgínia (PP), Gabriela Silveira (PP) e Helena Holanda (PP). A montagem da nominata segue uma estratégia de ampliar a representatividade do bloco, com foco em participação ativa no Congresso Nacional.

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