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Desinformação Impacta Vacinação contra HPV entre Adolescentes

Estudo revela que 26,4% das adolescentes brasileiras não foram vacinadas contra o HPV, com desigualdades regionais e desinformação como principais fatores. A pesquisa analisou dados de mais de 80 mil estudantes.
Foto: Metropoles

Um estudo recente aponta que mais de um quarto das adolescentes no Brasil não recebeu a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), mesmo com a disponibilidade gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa, realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), revelou que 26,4% das meninas permanecem sem proteção contra o vírus, que é a principal causa do câncer de colo do útero.

Os dados foram coletados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e publicados na revista Ciência & Saúde Coletiva em fevereiro. Os resultados indicam uma variação significativa na cobertura vacinal entre os estados, com fatores sociais e informacionais influenciando a adesão. Por exemplo, enquanto no Espírito Santo 17,3% das adolescentes não haviam sido vacinadas, no Rio Grande do Norte esse número sobe para 34,2%.

Fernando Wehrmeister, um dos autores do estudo, destaca que as desigualdades regionais são comuns em diversos indicadores de saúde no Brasil. Ele aponta que a organização dos serviços de saúde, a distância das unidades de saúde, a falta de profissionais e o financiamento inadequado são aspectos que contribuem para essa desigualdade.

Outro dado relevante é o padrão observado em alguns estados, onde adolescentes de famílias com maior nível socioeconômico apresentaram taxas de vacinação mais baixas, como em Mato Grosso do Sul e Bahia. Wehrmeister sugere que isso pode estar ligado à hesitação vacinal e à disseminação de informações falsas sobre a imunização. Ele afirma:

A hesitação vacinal pode, sim, ser um dos fatores que poderiam explicar esse resultado. Outro ponto importante que pode estar relacionado é a desinformação e o consequente aumento do movimento antivacina.

As redes sociais, segundo o pesquisador, têm um papel crucial na propagação de desinformação, o que pode impactar negativamente a percepção pública sobre os benefícios da vacina.

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