O desenvolvimento da visão em bebês inicia-se logo após o nascimento e passa por transformações significativas nos primeiros anos. Mesmo antes de aprender a falar, as crianças podem demonstrar dificuldades visuais que requerem a atenção dos pais e uma avaliação médica adequada.
De acordo com oftalmologistas, alterações visuais podem ser percebidas nos primeiros meses de vida. Se não forem identificadas rapidamente, essas dificuldades podem prejudicar o desenvolvimento visual da criança.
O oftalmologista Antônio Sardinha, do Hospital de Olhos de Cuiabá, destaca que muitos sinais de problemas visuais podem passar despercebidos. A falta de fixação do olhar em rostos ou objetos, dificuldade em acompanhar movimentos e a interação visual limitada são alguns dos indícios que merecem atenção. Outros sinais incluem tremores nos olhos, lacrimejamento frequente e sensibilidade excessiva à luz.
O especialista Diogo Bezerra de Almeida, que atua na plataforma Doctoralia, acrescenta que é importante observar a presença de pupilas esbranquiçadas e o hábito de esfregar os olhos a partir dos três meses de idade. Como os bebês não conseguem se expressar verbalmente, o comportamento visual se torna o principal indicativo de possíveis alterações.
A avaliação da visão deve ser iniciada logo após o nascimento. O teste do olhinho, realizado na maternidade, é fundamental para detectar doenças oculares graves, como catarata congênita e glaucoma. O oftalmologista Edison Geraissate, do Hospital de Olhos de Brasília, enfatiza que diagnósticos precoces aumentam as chances de tratamento eficaz.
Consultas oftalmológicas ao longo do primeiro ano de vida são essenciais para identificar problemas de grau ou desvios oculares. Um dos sinais que mais preocupam os pais é o desalinhamento dos olhos, que pode indicar estrabismo. Embora comum nos primeiros meses, o desalinhamento persistente não deve ser ignorado, pois pode levar à ambliopia, uma condição em que um dos olhos não se desenvolve adequadamente.
Embora pareça raro, alguns bebês realmente necessitam de óculos, especialmente em casos de erros refracionais elevados, como miopia, hipermetropia ou astigmatismo. O uso de óculos é indicado quando o grau é suficientemente alto para afetar o desenvolvimento visual, motor e cognitivo da criança. Armações especiais, geralmente feitas de silicone e com faixas elásticas, são utilizadas para garantir a estabilidade.
Os especialistas ressaltam a importância do diagnóstico precoce para evitar complicações futuras, como a ambliopia. Sardinha enfatiza que, quando diagnosticada precocemente, essa condição pode ser tratada com óculos, tampão ocular ou outros estímulos visuais. O acompanhamento regular nos primeiros anos de vida é crucial, pois o sistema visual ainda está em formação e responde melhor ao tratamento.