O governo da Espanha expressou sua indignação nesta quarta-feira ao considerar vergonhoso o episódio em que a torcida espanhola entoou cânticos islamofóbicos durante um amistoso contra o Egito. A polícia anunciou a abertura de uma investigação para apurar o ocorrido.
O ministro da Justiça, Félix Bolaños, se manifestou nas redes sociais, afirmando:
Insultos e cânticos racistas nos envergonham como sociedade. A extrema-direita não deixará nenhum espaço livre de seu ódio, e aqueles que hoje permanecem em silêncio serão cúmplices.
A polícia regional da Catalunha também confirmou que está investigando os cânticos considerados 'islamofóbicos e xenófobos' ouvidos durante a partida, que ocorreu em Barcelona como parte da preparação das equipes para a Copa do Mundo de 2026.
Durante o jogo, a torcida espanhola proferiu a frase pejorativa 'Quem não pular é muçulmano', logo após o hino do Egito, que foi recebido com vaias. O sistema de som do estádio chegou a solicitar que os cânticos fossem interrompidos, exibindo uma mensagem no telão.
Esses cânticos poderiam ter sido considerados uma violação do protocolo antidiscriminação da FIFA, que abrange ofensas de natureza racial, religiosa e de identidade. No entanto, o árbitro búlgaro Georgi Kabakov não acionou o protocolo.
Além disso, a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) também se manifestou nas redes sociais sobre o incidente. Os cânticos não apenas atacaram a religião dos egípcios, mas também a de Lamine Yamal, um dos jogadores da seleção espanhola, que é muçulmano e estava em campo durante a partida.
Lamine Yamal, de 19 anos, é filho de pai marroquino e vinha praticando o Ramadã, o mês sagrado do calendário islâmico, que ocorreu entre 17 de fevereiro e 19 de março deste ano.