O presidente Donald Trump tem dado declarações ambíguas sobre suas intenções em relação ao Irã. Em entrevista ao Financial Times, ele mencionou a possibilidade de capturar a ilha de Kharg, um importante terminal petrolífero no Golfo Pérsico, que é uma fonte crucial de financiamento para a Guarda Revolucionária do país. Trump afirmou:
Talvez tomemos a ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções
, destacando seu interesse em confiscar o petróleo iraniano e afirmando que a operação seria fácil devido à falta de defesa por parte dos iranianos.
Em outras entrevistas, Trump tem enviado mensagens contraditórias sobre o andamento do conflito, que já dura um mês. Ele declarou que as negociações com o regime iraniano estão progredindo, mencionando que o Irã concordou com a maioria das exigências e permitiu a passagem de 20 petroleiros pelo Estreito de Ormuz, o que ele chamou de um gesto positivo do regime.
Essas declarações otimistas ocorrem em um contexto de aumento da presença militar americana na região, com a chegada de 3.500 fuzileiros ao Oriente Médio e a preparação do Pentágono para um possível conflito terrestre, com o envio de cerca de 10.000 soldados ao Irã.
Além disso, o Wall Street Journal revelou que uma operação militar para extrair quase 450 quilos de urânio do Irã está sendo considerada, o que representaria uma missão complexa e arriscada, podendo manter as forças americanas no país por um período prolongado.
As afirmações de Trump sobre o progresso nas negociações foram prontamente negadas pelo regime iraniano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou que não há negociações diretas e que as exigências dos EUA são consideradas excessivas e irracionais.
Trump também insinuou uma mudança de regime no Irã, descrevendo o governo atual como “mais razoável”. Ele afirmou que a estrutura de poder anterior foi destruída e que agora estão lidando com pessoas diferentes, que, segundo ele, estão sendo razoáveis.
O presidente americano parece estar buscando um interlocutor no Irã, concentrando-se no presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, um ex-comandante da Guarda Revolucionária, que é visto como um pragmático, apesar de sua reputação de linha-dura.