A celebração do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro foi interrompida pela polícia israelense, que impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, de realizar a missa. O Patriarcado informou que essa é a primeira vez em séculos que tal evento não ocorre no local considerado sagrado pelos cristãos.
De acordo com a polícia, a decisão foi tomada em razão de preocupações de segurança relacionadas à guerra com o Irã. A polícia destacou que todos os locais sagrados na Cidade Velha de Jerusalém estão fechados aos fiéis desde o início do conflito, especialmente aqueles que não possuem abrigos antibombas.
O Domingo de Ramos, que marca o início da Semana Santa, é um período de grande movimentação na Cidade Velha, onde católicos romanos costumam se reunir. Este ano, as restrições também afetaram as celebrações da Páscoa, do Ramadã e do Pessach, resultando em locais sagrados praticamente vazios.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, criticou a ação policial, afirmando que a negação de acesso a líderes religiosos ofende todas as comunidades que valorizam a liberdade religiosa. O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, anunciou que convocaria o embaixador de Israel para discutir o incidente.
O presidente francês, Emmanuel Macron, também condenou a decisão, que, segundo ele, contribui para o aumento das violações do status dos Lugares Santos em Jerusalém. O Vaticano não comentou sobre o ocorrido, mas o Papa Leão XIII fez declarações contundentes sobre a guerra em curso.
Moradores e autoridades religiosas relataram que as restrições não foram aplicadas de maneira uniforme, observando que pregadores muçulmanos conseguiram acessar a Mesquita de Al-Aqsa durante o Ramadã. Apesar do impedimento na Igreja do Santo Sepulcro, frades franciscanos e fiéis puderam celebrar em outro santuário próximo.
Farid Jubran, porta-voz do Patriarcado, afirmou que a polícia foi informada sobre a missa privada, mas mesmo assim decidiu agir de forma restritiva.