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Indiciamento de ex-assessor de Hugo Motta é solicitado na CPMI do INSS

A CPMI do INSS incluiu Jerônimo Arlindo da Silva Júnior na lista de indiciados, acusado de ser elo político em esquema de fraudes previdenciárias. O relatório ainda precisa ser votado.
Foto: Relator pede indiciamento de ex-assessor de Hugo Motta na CPMI do INSS

O ex-assessor parlamentar Jerônimo Arlindo da Silva Júnior foi adicionado à lista de indiciados pela CPMI do INSS, com a acusação de atuar como elo político em um esquema de fraudes em benefícios previdenciários. O relatório, apresentado pelo relator senador Alfredo Gaspar, ainda aguarda votação.

Segundo o documento, Júnior, conhecido como Júnior do Peixe, ocupava uma posição estratégica que o colocava em contato com o lobby de entidades investigadas e parlamentares, utilizando seu cargo no gabinete do deputado Hugo Motta para facilitar o acesso à administração pública.

A investigação aponta que ele atuava como assessor parlamentar e também como articulador de interesses da CONAFER, entidade da qual foi diretor, o que lhe conferia acesso privilegiado a decisões administrativas, além de facilitar a manutenção de descontos indevidos.

O relatório destaca que Júnior funcionava como um 'braço político' do esquema, utilizando sua posição para influenciar decisões e proteger a entidade investigada.

Júnior entrou no foco da CPMI em setembro do ano passado, quando foi mencionado durante o depoimento do presidente da CONAFER. Em dezembro, a CPMI quebrou seus sigilos bancário e fiscal devido a indícios de irregularidades.

O relatório revela que, entre novembro de 2020 e agosto de 2025, ele recebeu R$ 998.553,30 da CONAFER e de operadores ligados ao esquema criminoso, mesmo enquanto estava formalmente lotado no gabinete parlamentar, indicando que sua verdadeira remuneração vinha do esquema de exploração de benefícios previdenciários.

Além disso, há indícios de movimentações financeiras incompatíveis com sua renda declarada. As quebras de sigilo mostraram que, entre 2015 e 2025, ele movimentou R$ 7.827.261,45, valores que não condizem com seus vencimentos como assessor.

A CPMI conclui que sua atuação incluía pressão institucional para reverter sanções e garantir a continuidade dos descontos sobre aposentadorias e pensões. Diante das evidências, Jerônimo foi indiciado por organização criminosa, corrupção passiva e advocacia administrativa.

O relator afirma que a atuação de Júnior foi crucial para a sustentação política do esquema, permitindo que as fraudes continuassem mesmo sob investigação. O indiciamento foi solicitado, destacando que ele transformou seu cargo em um instrumento de pressão e lobby institucional.

O relatório, no entanto, precisa ser aprovado pela maioria dos membros da CPMI para ter validade. O governo está tentando evitar a aprovação do documento, que inclui outros indiciados, como o filho do presidente da República.

Em contato anterior com a imprensa, Júnior do Peixe afirmou que os valores recebidos eram compatíveis com sua formação profissional e fundamentados em contrato, negando qualquer irregularidade. A reportagem aguarda um novo posicionamento sobre o indiciamento.

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