Com a chegada da Semana Santa e o ritual da malhação do Judas, os caretas, também conhecidos como caboclos, invadem as ruas em busca de doações. Essa prática, que remonta ao início do século XX, é especialmente forte nas regiões Nordeste do Brasil, como Paraíba, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bahia. Fantasiados com máscaras, esses jovens têm como objetivo assustar as crianças enquanto pedem alimentos ou dinheiro de porta em porta e no comércio local.
Tradicionalmente, as fantasias eram confeccionadas com palha seca, mas a estética e o comportamento dos caretas evoluíram ao longo do tempo. Em São João do Rio do Peixe, no Sertão paraibano, um grupo já aceita doações financeiras por meio de Pix, demonstrando a adaptação às novas tecnologias.
O radialista e pesquisador Aristênio Marques, em sua coluna Direto ao Ponto, destaca que essa tradição também expõe a realidade social dos jovens envolvidos. Ele compartilha uma experiência em Cajazeiras, onde foi abordado por um grupo de caretas pedindo almoço, o que o levou a refletir sobre a relação entre a tradição e a pobreza.
Quando a gente vê crianças num semáforo, numa esquina, vestidas de careta, 9h da manhã, 10h da manhã, 2h da tarde, 3h da tarde, a gente fica preocupado, de verdade, com o que essas crianças estão fazendo da vida, porque essa pequena configuração de tempo vai passar, daqui a pouco elas voltam para suas casas, para suas realidades, e fica a preocupação: o que será que existe por detrás de tantas máscaras sociais no Brasil.