O Ministério Público do Maranhão solicitou o afastamento cautelar do vice-governador Felipe Camarão em uma investigação sobre movimentações financeiras que não condizem com a renda declarada. Policiais militares do Gabinete Militar do governo também estariam envolvidos no caso. O tenente-coronel Thiago Brasil Arruda, por exemplo, movimentou R$ 9,6 milhões entre maio de 2023 e novembro de 2024, quantia que supera sua renda oficial.
Durante o período analisado, Arruda registrou cerca de R$ 4,8 milhões em créditos e R$ 4,7 milhões em débitos. O Ministério Público aponta que sua remuneração de quase R$ 21 mil representa apenas 7,1% do total movimentado em suas contas. Além do montante expressivo, o MP destaca que os valores não permaneciam com o policial, sendo rapidamente transferidos a terceiros.
Parte dos recursos movimentados teria sido transferida a pessoas ligadas ao vice-governador. O relatório menciona o uso da técnica de 'smurfing', que consiste em fracionar depósitos em dinheiro para dificultar o rastreamento. Mais de R$ 1 milhão foi depositado de forma fragmentada para evitar alertas das autoridades.
A investigação também resultou em um pedido de afastamento de agentes públicos, incluindo Camarão e Arruda, para garantir a coleta de provas. O caso está sob análise do Tribunal de Justiça do Maranhão.
Em resposta ao pedido do MP, Camarão afirmou ser alvo de uma 'campanha jurídico-midiática' e alegou que as acusações visam beneficiar o governador Carlos Brandão. Ele defende que os recursos em questão têm origem lícita e foram devidamente declarados.
Dados do MP indicam que Camarão recebeu R$ 1,72 milhão em créditos salariais e R$ 4,64 milhões de outras fontes, além de 230 depósitos sem identificação de origem. O relatório aponta que sua conta principal teve mais de R$ 6,3 milhões em saídas, incluindo despesas com cartão de crédito e repasses a terceiros.
Fonte: Metropoles