O presidente Lula discutiu com a cúpula do governo as respostas para o que seus auxiliares consideram fontes de desgaste político e eleitoral, como o elevado endividamento das famílias e os escândalos de corrupção.
Durante uma reunião no Palácio do Planalto, Lula e seus ministros avaliaram que o alto nível de endividamento dos brasileiros compromete os esforços do governo em promover uma sensação de bem-estar social, como o aumento do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda.
A taxa de juros praticada pelo Banco Central foi novamente alvo de críticas. No dia seguinte à reunião, Lula expressou publicamente sua insatisfação com a redução de apenas 0,25 ponto porcentual da taxa Selic, que agora está em 14,75%. O presidente esperava uma taxa mais baixa até este momento do ano.
Lula também se referiu ao caso do Banco Master como um "ovo da serpente" da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de Roberto Campos Neto, que chefiou o Banco Central.
Os participantes da reunião reconheceram que, embora os escândalos de corrupção sejam heranças de administrações anteriores e estejam sendo investigados durante seu governo, eles estão impactando a imagem de Lula.
O presidente manifestou frustração com o desgaste causado por fraudes que envolvem opositores e que vieram à tona devido a investigações que ele incentivou na Controladoria-Geral da União, na Polícia Federal e no Banco Central.
Lula e seus auxiliares admitiram a dificuldade em contrabalançar a comunicação bolsonarista, que utiliza os desdobramentos das investigações para alegar que o governo é um foco de corrupção, o que estaria beneficiando o pré-candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro.
Os participantes da reunião defenderam a necessidade de enfatizar que os escândalos do Banco Master e do INSS começaram durante a gestão bolsonarista.
Um dos participantes apontou que o trabalho de combate à corrupção realizado pela Polícia Federal, Banco Central e CGU não tem se traduzido em capital político. A comunicação não tem conseguido demonstrar que o governo está atuando contra as fraudes.
O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, respondeu a essa avaliação, afirmando que reagir a ataques não é uma função da comunicação oficial do governo. A reunião, que tinha como pauta questões da gestão petista, terminou com essa análise da conjuntura política.
Além das críticas à taxa de juros, há também descontentamento no governo com a falta de apoio do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, à estratégia de responsabilização de seu antecessor, Roberto Campos Neto, pela crise do Banco Master.
Desde a compra do Banco Master pelo BRB, Galípolo não endossou as críticas a Campos Neto, que foram lideradas pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A insatisfação se estende ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao ministro da CGU, Vinicius Carvalho. Lula ficou desapontado por Carvalho não ter comunicado previamente sobre as fraudes relacionadas aos descontos dos aposentados do INSS, que foram reveladas em 2025.
Aliados do presidente criticam o vazamento de informações por agentes da PF, que consideram uma ação de bolsonaristas.
Em entrevista, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, criticou o trabalho da PF e defendeu que Andrei Rodrigues tome medidas enérgicas para restaurar a credibilidade da instituição.
O chefe da PF afirmou que o órgão atua com autonomia técnica e independência, ressaltando que o combate à corrupção é uma diretriz do governo federal.
Defensores da política do Banco Central argumentam que a situação no Irã demonstrou que as críticas do governo à cautela na redução dos juros rapidamente se tornaram obsoletas devido aos efeitos da alta do petróleo na economia global.
A ministra Gleisi Hoffmann criticou os vazamentos em um vídeo, sem mencionar diretamente a PF, e voltou a atacar Campos Neto, afirmando que os responsáveis pelas fraudes precisam ser investigados.
Questionados, Banco Central, CGU e a Presidência da República não se manifestaram.