O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, deu um prazo de cinco dias para que a Câmara dos Deputados se pronuncie sobre o envio de emendas parlamentares a organizações associadas à produtora Karina Ferreira Gama, responsável pelo filme The Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A solicitação de Dino ocorreu após receber um ofício da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que destacou a existência de um 'ecossistema de pessoas jurídicas interconectadas' sob a direção da roteirista. Ela argumentou que essa configuração poderia dificultar a rastreabilidade dos recursos públicos, caracterizando um 'grupo econômico por coordenação'.
No ofício, Amaral mencionou que essas entidades têm recebido 'emendas pix' de parlamentares que utilizam serviços de marketing eleitoral de empresas do mesmo grupo. Em janeiro, foi reportado que o deputado federal Mario Frias (PL-SP), um dos roteiristas de The Dark Horse, destinou R$ 2 milhões em emendas a uma ONG presidida por Karina Ferreira Gama.
Além disso, o ofício também cita outra organização vinculada à produtora que recebeu R$ 2,6 milhões em 'emendas Pix' de deputados como Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS), além dos ex-deputados Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP).
Dino também convocou Frias, Kicis e Pollon para que apresentem suas defesas em até cinco dias úteis sobre as supostas irregularidades. As emendas Pix são transferências de recursos federais que podem ser indicadas diretamente por parlamentares a Estados e municípios, sem a necessidade de convênios ou projetos detalhados, o que levanta preocupações sobre a transparência desses repasses.