A confirmação de um caso de sarampo em um bebê de seis meses, que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia, ressalta a necessidade de cuidados com a vacinação antes de viajar. A criança não estava vacinada, pois ainda não havia atingido a idade recomendada para receber a vacina tríplice viral, que é aplicada a partir dos 12 meses.
Os anticorpos maternos, que protegem os bebês nos primeiros meses de vida, podem não ser suficientes para evitar a infecção. Por isso, crianças menores de um ano são especialmente vulneráveis ao sarampo. Para aquelas que vão a regiões com transmissão ativa, especialistas sugerem a aplicação de uma 'dose zero' da vacina, que oferece proteção parcial, mas não substitui as doses regulares do calendário vacinal.
O aumento significativo de casos de sarampo nas Américas, que cresceu 32 vezes entre 2024 e 2025, levou a Organização Pan-Americana da Saúde a emitir um alerta. Em 2025, foram registrados 14.891 casos em 13 países, com a Bolívia apresentando 597 casos e os Estados Unidos enfrentando uma epidemia com 2.242 casos.
Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, destaca que a avaliação do risco é crucial para bebês entre seis meses e um ano. Para esses casos, a dose extra é recomendada para garantir maior segurança durante a viagem. No entanto, antes dos seis meses, a vacina não é indicada devido à alta concentração de anticorpos maternos.
A dose zero não faz parte do calendário do Programa Nacional de Imunizações e é aplicada apenas em situações de surto. Eder Gatti, diretor do PNI, afirma que a vacinação extraordinária não é uma prática comum, e a maioria das famílias precisará buscar essa dose na rede privada.
Além do sarampo, o calendário do Sistema Único de Saúde oferece vacinas essenciais durante o primeiro ano de vida, incluindo hepatite B, poliomielite e febre amarela, que é especialmente relevante para viagens a áreas de risco. A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda vacinas adicionais que podem ser mais abrangentes do que as disponíveis no SUS.
A orientação dos especialistas é clara: consultar um pediatra antes de viajar com bebês, verificar o perfil epidemiológico do destino e avaliar a necessidade de antecipar alguma vacina.