O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manifestou a posição do governo brasileiro em relação à proposta da administração Trump de classificar as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas. Vieira destacou que essa classificação não é compatível com a legislação brasileira, que não reconhece tais organizações dessa forma.
Durante sua fala, o chanceler enfatizou que o Congresso Nacional aprovou uma Proposta de Emenda à Constituição que refuta essa categorização. Ele considerou a proposta de Trump como uma interferência inaceitável de um país estrangeiro, além de expressar preocupações sobre os possíveis impactos econômicos que essa classificação poderia acarretar, como sanções que afetariam empresas e instituições financeiras.
A avaliação do governo Lula é de que a rotulação de PCC e CV como organizações terroristas poderia expor o Brasil a medidas unilaterais por parte dos Estados Unidos. Vieira reiterou que a classificação deve seguir as diretrizes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Em sua participação nas comissões de relações exteriores da Câmara e do Senado, Vieira também abordou a questão da atuação de organizações mafiosas no Brasil e reafirmou que o foco do governo é o combate ao crime transnacional.
O chanceler foi convidado a discutir a posição do Brasil sobre a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. O deputado Rodrigo Valadares questionou a falta de uma condenação clara do Itamaraty em relação aos ataques iranianos a países do Golfo, levantando preocupações sobre a consistência da narrativa oficial do Brasil.
Vieira defendeu que o Brasil condenou os ataques ao Irã, que ocorreram durante negociações sobre o programa nuclear iraniano, e reiterou a posição do governo de que retaliações a países não envolvidos no conflito são inaceitáveis.