As eleições municipais realizadas no último domingo na França destacaram-se pela elevada taxa de abstenção e pelo crescimento significativo de partidos extremistas. A participação dos eleitores foi estimada entre 56% e 58,5%, a mais baixa desde 1958, exceto em 2020, quando a pandemia da Covid-19 impactou o comparecimento.
a abstenção superou 40%, cerca de dez pontos a mais do que em 2020, que já havia registrado um índice historicamente baixo de 45%. Em comparação, a participação em 2014 foi de 63,55%. O partido de extrema direita Reunião Nacional (RN), liderado por Marine Le Pen, obteve resultados expressivos em cidades como Perpignan, enquanto candidatos apoiados pelo RN avançaram ao segundo turno em importantes centros urbanos como Nice e Toulon.
Por outro lado, a França Insubmissa (LFI) também se destacou, conquistando resultados significativos em cidades como Roubaix, Lille e Toulouse. Em Saint-Denis, a segunda maior cidade da região metropolitana de Paris, Bally Bagayoko, representando uma aliança entre LFI, Partido Comunista e Partido Socialista, obteve quase 51% dos votos no primeiro turno.
O editorial do Le Parisien aponta que o cenário atual reflete uma crescente radicalização política, evidenciando uma França que oscila entre extremos, enquanto os partidos tradicionais parecem estar sendo excluídos. A baixa participação é vista como um sinal de alerta para o segundo turno, programado para o próximo domingo, e para as eleições presidenciais do ano seguinte.
Le Parisien também destaca as principais lições do primeiro turno: a abstenção em níveis sem precedentes, o crescimento de partidos extremistas nas grandes cidades e a incerteza política em Paris. Na capital, cinco candidatos avançaram para o segundo turno, mas ainda não há confirmações sobre possíveis alianças ou desistências. Emmanuel Grégoire, da coligação de esquerda, liderou o primeiro turno com quase 38% dos votos, seguido por Rachida Dati, dos Republicanos, com 25,46%. A candidata da LFI, Sophia Chikirou, ficou em terceiro lugar com 11,72%.
Até o momento, apenas Rachida Dati propôs uma fusão com Pierre-Yves Bournazel, representante da união de centro-direita entre Horizons e Renascimento. As listas para o segundo turno devem ser registradas até a noite de terça-feira.