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Impactos da Guerra no Irã no Agronegócio Brasileiro

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã gera incertezas no agronegócio brasileiro, especialmente em relação aos fertilizantes, essenciais para a produção agrícola.
Foto: Safra de 2026

Os efeitos econômicos do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã estão criando incertezas em setores cruciais para a produção de alimentos globalmente. Após o aumento no preço da energia, com o barril de petróleo próximo a 100 dólares, a nova preocupação recai sobre os fertilizantes, cuja produção é significativa nos países do Golfo Pérsico, que utilizam o Estreito de Ormuz como rota de transporte.

O grupo de fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia, é o mais afetado. Estima-se que metade do volume comercializado mundialmente tenha origem no Golfo, conforme a Bloomberg Intelligence. O Brasil, que é líder na produção de alimentos, importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza anualmente, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Em 2025, todo o estoque de ureia do Brasil foi importado, com aproximadamente 41% dessas importações passando pelo Estreito de Ormuz, conforme a consultoria Agrinvest. A situação se complica ainda mais com a interrupção da produção de gás natural liquefeito (GNL) pela Qatar Energy, devido a ataques iranianos.

Na semana passada, o preço da ureia no Egito, referência para os preços internacionais, subiu 37%, passando de 485 para 665 dólares por tonelada. Embora ainda abaixo do pico de mil dólares, alcançado após a invasão da Ucrânia pela Rússia, essa alta gera preocupações para os mercados do Hemisfério Norte, que estão iniciando o plantio para a próxima colheita.

A dependência da ureia é maior para culturas como milho, trigo e arroz. Joseph Glauber, pesquisador do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Políticas Alimentares (IFPRI), alerta que o aumento nos preços dos fertilizantes pode levar os agricultores a escolher culturas que exigem menos insumos, prejudicando a produção agrícola.

Um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz pode reduzir significativamente a disponibilidade de fertilizantes em regiões dependentes de importações, como Brasil, Índia e partes da Europa. Outros produtores, como Rússia, China e Estados Unidos, têm capacidade limitada para aumentar a produção rapidamente.

No Brasil, a compra de fertilizantes nitrogenados tende a ocorrer mais no final do ano, antes do plantio de milho. O analista Tomás Pernías, da consultoria StoneX, destaca que a incerteza no cenário geopolítico torna difícil prever o comportamento do mercado de fertilizantes.

Mauro Osaki, pesquisador do Cepea, observa que, apesar da incerteza, os agricultores brasileiros podem sofrer menos em comparação aos do Hemisfério Norte, já que a cultura de segunda safra está quase finalizada. A preocupação recai sobre o planejamento para a próxima safra de 2026/2027.

Osaki também menciona que os impactos futuros podem afetar culturas de trigo e cevada, que já enfrentam rentabilidade negativa. A dificuldade em obter fertilizantes nitrogenados pode impactar o plantio de arroz e feijão, que já estão enfrentando queda na demanda.

No setor de proteína animal, a preocupação é maior, pois quase 25% das exportações de carne de frango do Brasil têm como destino o Oriente Médio. O fechamento do Estreito de Ormuz pode suspender novos embarques para a região, levando produtores a redirecionar suas vendas.

Caso as exportações de carne de frango sejam comprometidas, a produção destinada ao mercado externo pode ser redirecionada para o mercado interno, o que exigiria adaptações logísticas e legais.

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