Em locais onde as temperaturas caem a níveis extremos, como Yakutsk, na Rússia, e Snag, no Canadá, o corpo humano desenvolve respostas automáticas para enfrentar o frio. Especialistas destacam que, ao expor-se a temperaturas muito baixas, o organismo inicia um processo de defesa.
O cardiologista Anis Mitri, presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo (AHOSP), explica que a primeira reação do corpo é a vasoconstrição, que reduz a circulação sanguínea nas extremidades, como nariz, orelhas, mãos e pés, para proteger os órgãos vitais.
Em seguida, surgem os tremores, que são contrações musculares involuntárias que ajudam a gerar calor. Durante esse processo, a frequência cardíaca e a pressão arterial aumentam, contribuindo para a manutenção da temperatura corporal.
Contudo, a exposição prolongada ao frio extremo sem proteção adequada pode levar a complicações graves, como hipotermia e congelamento de tecidos, conhecido como frostbite, que afeta principalmente os dedos das mãos e dos pés.
A adaptação do corpo a ambientes frios não é imediata e pode levar semanas ou meses. Com o tempo, o organismo melhora o controle dos tremores e a circulação nas extremidades se torna mais eficiente. O metabolismo também se ajusta, minimizando efeitos neurológicos como sonolência e lentidão mental.
Por outro lado, a adaptação ao calor extremo segue uma lógica diferente, mas com o mesmo objetivo de manter a temperatura interna estável. O corpo começa a suar mais cedo e de forma mais eficiente, além de perder menos sal no suor, o que ajuda a preservar eletrólitos e a reduzir o risco de desidratação.